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domingo, 28 de outubro de 2012

Brain Mantia fala sobre seu tempo com o Guns N' Roses



A Music Radar entrevistou o baterista Bryan 'Brain' Mantia (Primus, Guns N' Roses) e ele contou histórias dos bastidores da gravação do Chinese Democracy. Confira a seguir:

A indução do Brain à banda coincidiu com o retorno da banda e o começo da era pós-Slash/Duff/Sorum. Os próximos seis anos ele os veria escrever, gravar, mas não lançar o Chinese Democracy. Não é surpresa que Brain tem ótimas histórias de seu tempo acompanhando Axl e cia. E aqui estão elas...

Nervosismo de estreia

"Fizemos nosso primeiro show no Rock in Rio. Nós ensaiamos rovavelmente por dois ou três meses sem o Axl. Nosso primeiro show foi o Rock in Rio e eu pensei, 'Espera, como isso vai soar com o Axl? Aonde está o Axl? Oh, aqui está seu helicóptero chegando.' A primeira vez que toquei em um show de verdade com ele foi na frente de 250 mil pessoas! Eu estava pensando, 'Como essa música começa mesmo?' pois algumas ele deveria dar a deixa pra começar mas nós nunca tivemos uma conversa verbal com ele sobre se ele iria dar a deixa ou ou eu daria!

"Você olha pra sua esquerda e tem o Foo Fighters, Oasis e Sting! Estávamos encabeçando aquele dia e todo mundo estava ansioso pra ver o que faríamos pois o Axl reuniu todo esse pessoal.”

Bem vindo ao templo

"Eles tinham gravado um monte de material e Josh Freese gravou muita coisa. Acho que ele gravou 90% da bateria das 25 ou 30 músicas que estavam circulando. Eu cheguei na mesma época que eles arrumaram o [produtor] Roy Thomas Baker. Ele veio do Queen, The Cars, Journey, mais voltado ao rock. Ele disse que tínhamos que regravar as baterias pois elas soavam muito industrial.

"Nós literalmente andamos em seu Rolls Royce verde em LA e pegamos provavelmente cada bateria famosa em cada loja de bateria e testamos todas. Nós as fretamos para o The Village em LA onde estávamos gravando.

"Arrumamos todas as baterias e eu disse, 'Isso é um disco do Guns N' Roses, precisamos de uma vibe' e tinha um templo no andar de cima que as pessoas usavam pra fazer suas preces. Fomos lá e era um mini auditório. Assim que colocamos a bateria lá eu virei e disse, 'Oh merda, esta é a vibe'. Eles colocaram o cabeamento lá e eventualmente o Bucket montou seu galinheiro e foi lá que gravamos. Bucket e eu olhávamos um pro outro e ele estava no galinheiro com arames e ele tinha trazido palha. Ficamos gravando lá por três anos.”

Agora faça do seu jeito!

"Axl é um perfeccionista. Josh [Freese], que é um dos meus bateristas favoritos, já tinha gravado faixas maravilhosas mas eles não tinham o som. Elas eram muito digitais sonoramente, não tinha muito ar se movimentando. Axl gostou de algumas partes então ele me perguntou se eu podia tocar o que o Josh tocou mas com minha pegada. Ele queria que eu tocasse nota por nota.”

"Então eu pensei, se eles querem isso alguém vai ter de transcrever isso. Fiz umas ligações e fui até a Sony e deixei alguns Cds e eles transcreveram. Eles aprontaram a transcrição em um teleprompter, eu aprendi tudo e gravei nota por nota. Depois disso o Axl disse, “Agora faça do seu jeito!” eu acho que o que saiu no álbum foi um híbrido de um pouco do Josh e do que eu fiz.

Quem está pagando por isso?

"Tinha uma outra sala com literalmente 30 caixas de bateria enfileiradas, 15 bumbos, chimbals empilhados como em uma loja de música e eu estava literalmente como, 'Esse aqui parece bom, vamos testar com esse.' Nós tocávamos alguma coisa e víamos como soava.

"Não havia limite de tempo, não havia nada. Não acho que alguém estava controlando aquilo. Eu pensava, 'Não sei quem está pagando por isso, ou o que está acontecendo, mas não me importo pois eu posso estar aqui e me divertir em um dos melhores estúdios do mundo com algumas das melhores baterias e o melhor equipamento de gravação, todo mundo fala merda do Axl e do Guns N' Roses mas isso é muito legal pra mim!

"Próximo ao fim nós provavelmente viríamos com um kit que soava bem sólido e só mudávamos a caixa. “I'm Sorry” era uma coisa mais Pink Floyd então eu usei um bumbo maior, de 24” ou 26”, em 'There Was a Time' usamos um de 22”, estávamos apenas experimentando. Estávamos nos divertindo muito, eu e meu técnico de bateria. Tentávamos alguma coisa, gravávamos e enviávamos o CD pro Axl. Ele dava uma conferida e dizia, 'É, está legal' ou as vezes ele aparecia mas seu horário é louco então ele chegava lá pras quatro da manha e ouvia.”

Dois bateristas?

"[Axl] sempre me tratou muito bem. Mesmo quando eu saí e o Frank [Ferrer, atual baterista do GNR] assumiu pois eu iria ter um filho, eles foram bem legais. Acho que o Axl ficou um pouco nervoso com [a ideia de ter] outro baterista mas eu saí, ele me permitiu e foi meio que minha decisão não voltar pois eu estava trabalhando em coisas como produção e trilhas sonoras.

"Mas eu ainda estou fazendo coisas, eu fiz alguns remixes pra ele. Ele sempre foi bom comigo. Sei que ele tem sua reputação e eu já vi isso e é isso que faz dele Axl Rose. Ele está tocando o barco todo. Ele recebe muita pressão e tem muitos idiotas querendo derrubar ele.

"Em um momento ele tentou, mesmo nessa última turnê, ele ligou dizendo, 'Hey, você gostaria de fazer uma coisa tipo duas baterias onde você tocaria todas as músicas novas, Chinese que são um pouso mais técnicas e deixaria o Frank tocar as coisas mais rock de antigamente'. Eu estava considerando fazer isso. Não sei se o Frank queria fazer isso e eu não queria colocá-lo nessa posição. E não sei se eu queria fazer essa coisa meio Grateful Dead com dois bateristas.”

"Mas ele estava falando sobre ter essas baterias giratórias, 'Hey, ok estamos tocando 'I'm Sorry' do Chinese, a bateria gira e o Brain está tocando, ok estamos tocando 'Welcome to the Jungle', ela gira de volta e o Frank está tocando'”. Isso nunca se desenvolveu, não sei se eles teríam a grana e Frank talvez não estivesse 100% quanto a isso. Ele é o baterista agora e eu me senti esquisito com isso.


Fonte: Whiplash 

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